quarta-feira, 28 de outubro de 2026

José Mayer tem processo trabalhista encerrado após acordo de R$ 22 mil

O ator José Mayer, 77, teve encerrado um processo trabalhista movido por um ex-funcionário doméstico. Após um acordo de R$ 22 mil, homologado pela Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro, a 71ª Vara do Trabalho declarou extinta a execução e determinou o arquivamento definitivo dos autos nesta terça-feira (27). A ação cobrava inicialmente R$ 58.042,52. A disputa envolvia acusações de irregularidades no pagamento de salários e no cumprimento do direito a férias. Segundo a petição inicial conferida pelo F5, o profissional trabalhou na casa do ator até janeiro de 2026. O ex-funcionário afirmou que recebia parte da remuneração sem o devido registro na carteira de trabalho, o que, segundo ele, teria provocado diferenças nos recolhimentos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e no cálculo das verbas rescisórias. Conforme relato apresentado à Justiça, o homem recebia R$ 3.107 mensais em 2025, enquanto o salário registrado em sua carteira era de aproximadamente R$ 1.600. Ele também alegou que, embora recebesse os valores referentes às férias, precisava continuar trabalhando durante os períodos que deveriam ser destinados ao descanso. Por esse motivo, cobrou valores relativos a quatro períodos de férias entre 2021 e 2025, além de outras verbas trabalhistas. O acordo foi firmado em audiência realizada em 17 de agosto, com a presença de José Mayer e do ex-funcionário, ambos acompanhados de seus advogados. Conforme a ata, o ator se comprometeu a pagar R$ 22 mil em três parcelas. Em contrapartida, o trabalhador concedeu quitação dos pedidos apresentados na ação e do contrato de trabalho. Em decisão assinada nesta terça (27), a juíza Karen Pinzon Blaskoski declarou extinta a execução. Como as partes chegaram a uma conciliação, não houve julgamento de mérito sobre as supostas irregularidades trabalhistas.

Aposentadoria pelo INSS fica mais difícil a partir de 1º de janeiro de 2027

A Reforma do INSS de 2019 criou regras de transição para quem já contribuía para o INSS, e essas regras sobem um pouco a cada ano. Na regra de pontos, que soma a idade com o tempo de contribuição, as mulheres precisam de 93 pontos em 2026 e vão precisar de 94 em 2027. Os homens passam de 103 para 104 pontos. Nessa regra, as mulheres precisam ter pelo menos 30 anos de contribuição e os homens, 35. Na regra da idade mínima progressiva, a idade exigida das mulheres sobe de 59 anos e 6 meses para 60 anos, e a dos homens, de 64 anos e 6 meses para 65 anos, mantendo o mesmo tempo mínimo de contribuição. Na prática, quem completar todos os requisitos até 31 de dezembro de 2026 tem o direito garantido pela regra deste ano, mesmo que só faça o pedido depois. Isso se chama direito adquirido. Já quem ficar a poucos meses de completar os requisitos e passar da virada do ano vai precisar de mais tempo. Por exemplo, uma mulher de 59 anos e 6 meses com 30 anos de contribuição se aposenta pela idade progressiva ainda em 2026. Se só completar esses requisitos em janeiro, terá que esperar até os 60. Um erro muito comum é descobrir na hora do pedido que faltam contribuições no cadastro do INSS. Empregos antigos sem registro, períodos como autônomo sem pagamento ou salários errados no sistema atrasam a aposentadoria. Outro erro é correr para se aposentar sem saber o valor que vai receber. Às vezes, esperar um pouco mais ou escolher outra regra rende um benefício melhor. Para tirar a dúvida, entre no aplicativo Meu INSS e baixe o extrato do CNIS, que mostra todas as suas contribuições. Confira se está tudo certo e, se faltar algum período, junte carteira de trabalho, contracheques ou recibos para pedir a correção. Use também a opção de simular a aposentadoria no próprio aplicativo para ver em qual regra você se encaixa e quando. Em caso de dúvida, procure um advogado previdenciário antes de dar entrada. Victor Manoel Romero da Silva – Advogado – OAB/RJ 249.067 Conteúdo elaborado com finalidade exclusivamente informativa. Cada situação deve ser analisada individualmente à luz dos documentos e circunstâncias do caso. Contato profissional: WhatsApp: 21-997826929

Quando é possível a conversão do benefício por incapacidade temporária em aposentadoria por incapacidade permanente?

É possível recorrer à Justiça para pedir a aposentadoria por incapacidade permanente e para isso, é necessário comprovar que a pessoa está totalmente incapacitada para o trabalho e que essa incapacidade é permanente, ou seja, que não há possibilidade de recuperação que permita voltar a trabalhar, inclusive em outra atividade. Os laudos e relatórios médicos são importantes para comprovar a situação de saúde, o tratamento realizado e a impossibilidade de trabalhar. Na Justiça, a incapacidade também será avaliada por um médico perito e é importante analisar o histórico do benefício e os documentos médicos antes de uma possível ação judicial Também é necessário verificar o valor da aposentadoria, pois, após a Reforma da Previdência, em algumas situações, ela pode ser menor que o benefício por incapacidade temporária. Antes de entrar na Justiça, é importante avaliar não apenas a possibilidade de obter a aposentadoria, mas também os impactos financeiros da mudança de benefício e a documentação necessária para sustentar o pedido. Victor Manoel Romero da Silva – Advogado – OAB/RJ 249.067 Conteúdo elaborado com finalidade exclusivamente informativa. Cada situação deve ser analisada individualmente à luz dos documentos e circunstâncias do caso. Contato profissional: WhatsApp: 21-997826929

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Receita médica de tratamento com Cannabis medicinal não obrigam planos de saúde , decide STJ

A Segunda Seção do STJ (Supremo Tribunal de Justiça) decidiu que os planos de saúde não são obrigados a fornecer produtos de Cannabis medicinal para uso domiciliar caso isso não esteja assegurado em contrato. A decisão deve derrubar sentenças favoráveis aos pacientes e resultar em negativas para aqueles que esperam conseguir na Justiça o acesso ao tratamento. O entendimento fixa jurisprudência do STJ acerca do tema, e processos que tramitam em instâncias inferiores devem seguir a tese do tribunal. Cabe recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal). A decisão foi chancelada a partir de processo movido por uma paciente do Rio de Janeiro, que solicitou acesso a canabidiol (CBD) para tratar síndrome de Tourette, ansiedade generalizada e depressão profunda. O alcance prático e o fundamento jurídico da decisão aplicam-se, contudo, a outros derivados da Cannabis para uso doméstico. No processo em questão, o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) determinou o fornecimento da substância e condenou o plano ao pagamento de indenização por danos morais. A operadora então recorreu ao STJ, que reverteu a decisão. O acórdão ressalta que o próprio STJ já julgou mais de 700 pedidos de acesso à Cannabis medicinal por usuários de plano de saúde até outubro de 2026. A Corte considera o número um reflexo expressivo da judicialização do tema. Para a Associação Santa Cannabis, que atende cerca de 20 mil famílias de pacientes, a decisão do STJ representa um retrocesso e impõe nova barreira para acesso ao tratamento no país. "O Brasil fechou 2025 com cerca de 873 mil pacientes de Cannabis medicinal, número que deve crescer de 10% a 20% em 2026. Boa parte desse montante não tem condição de custear [os produtos de Cannabis]. A decisão restringe as terapias ao poder aquisitivo do paciente", afirma Gabriella Kreffta, presidente da associação. Ela firma que o tratamento custa de R$ 350 a R$ 1.200 por mês e pode ultrapassar esse valor em alguns casos. Compostos à base de canabidiol são prescritos para tratamento de epilepsia refratária, esclerose múltipla e dores crônicas, patologias para as quais existem evidências científicas mais robustas sobre a eficácia da cannabis. Para os ministros, a regra que autoriza tratamentos fora do rol de procedimentos de cobertura obrigatória, da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) não anula as proibições expressas na própria lei, entre elas a permissão para excluir remédios de uso doméstico. Os planos podem ser obrigados a fornecer produtos de Cannabis medicinal se a terapia for necessária em interação domiciliar. A decisão também não se aplica a casos de tratamento com intervenção ou supervisão direta de um profissional de saúde especializado para a aplicação do fármaco. Os convênios também ficam obrigados a fornecer o produto quando eles forem incluídos no rol de procedimentos da ANS para uso domiciliar, ou se houver previsão específica no contrato.

Casal pede na Justiça que Pedro, do Flamengo, desocupe casa no Recreio após terem sido obrigados a desocupar por leilão invalidado

O atacante Pedro Guilherme, do Flamengo, foi acionado na 3ª Vara Cível da Barra da Tijuca por um casal que pede reintegração de posse de um imóvel no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. De acordo com a parte autora, a casa foi adquirida pelo jogador através de leilão, após o casal ter sido obrigado a desocupar a residência. Isso teria ocorrido em procedimento de execução extrajudicial da Caixa Econômica Federal, por conta de atrasos no pagamento do financiamento imobiliário. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em agosto de 2026, anulou a execução em decisão definitiva, uma vez que o casal não teria sido notificado pessoalmente para regularizar a dívida, como exigido por lei. Por conta disso, os autores recuperaram o direito à posse do imóvel. No STJ, o caso pode estar registrado como recurso especial (REsp) ou agravo em recurso especial (AREsp), possivelmente com a Caixa Econômica Federal como parte. O casal afirma ainda que Pedro foi notificado para desocupar a casa de forma voluntária, mas permaneceu no local. Eles pedem uma liminar para voltar imediatamente ao imóvel.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Vítima de golpe do falso boleto pode cobrar prejuízo do banco? Entenda quando existe responsabilidade civil

Imagine a seguinte situação: um consumidor recebe um boleto para quitar um financiamento, pagar uma prestação ou liquidar uma dívida. O documento parece legítimo, apresenta o valor correto e contém informações relacionadas à operação contratada. Confiando na autenticidade da cobrança, ele efetua o pagamento. Dias depois, descobre que caiu em um golpe. O dinheiro foi destinado à conta de um fraudador e o credor original continua cobrando a dívida. Diante desse cenário, surge uma pergunta importante: o consumidor pode exigir que o banco reconheça o pagamento e indenize os prejuízos sofridos? A resposta é: depende das circunstâncias da fraude e das provas disponíveis. Embora os bancos possam responder por falhas de segurança relacionadas à sua atividade, a ocorrência de um golpe não significa, automaticamente, que a instituição financeira seja obrigada a indenizar a vítima. A legislação consumerista e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelecem critérios para identificar quando existe responsabilidade civil da instituição financeira. Neste artigo, vamos explicar esses critérios, apresentar decisões relevantes e orientar o consumidor sobre como defender seus direitos. 1. O que diz o Código de Defesa do Consumidor sobre a responsabilidade dos bancos? As instituições financeiras estão sujeitas às normas do Código de Defesa do Consumidor (CDC), conforme reconhecido pela Súmula 297 do STJ. O artigo 14 do CDC estabelece, como regra, a responsabilidade objetiva do fornecedor pelos danos causados por defeitos relativos à prestação dos serviços. Isso significa que, quando demonstrados os pressupostos legais da responsabilidade, o consumidor não precisa provar que o banco agiu intencionalmente ou com culpa. É necessário, porém, demonstrar o dano e os elementos que relacionem o prejuízo a um defeito do serviço, observadas as hipóteses legais de exclusão da responsabilidade. O banco poderá ser responsabilizado, por exemplo, se ficar demonstrado que uma falha nos mecanismos de segurança, no tratamento de informações sigilosas ou na abertura e manutenção de contas utilizadas para fraudes contribuiu para o prejuízo. Por outro lado, o próprio artigo 14, § 3º, do CDC prevê hipóteses em que o fornecedor não será responsabilizado, como quando provar que o defeito inexiste ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, nos termos da lei. Portanto, a análise jurídica não deve se limitar à pergunta sobre quem praticou o golpe. É preciso investigar se houve falha relacionada ao serviço bancário e se essa falha contribuiu para o resultado. 2. Súmula 479 do STJ: quando a fraude integra o risco da atividade bancária? A Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça estabelece: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.” O conceito de fortuito interno abrange acontecimentos relacionados aos riscos próprios da atividade desenvolvida pela instituição financeira, inclusive determinadas fraudes praticadas por terceiros. Na prática, isso significa que o banco não pode afastar sua responsabilidade simplesmente alegando que o golpe foi praticado por criminosos. Se a fraude estiver relacionada a um defeito do serviço bancário, poderá existir o dever de reparar os danos. Entretanto, é importante fazer uma distinção: a Súmula 479 não estabelece que os bancos sejam responsáveis por toda e qualquer fraude sofrida por seus clientes. A aplicação do entendimento depende da análise das circunstâncias concretas, especialmente da existência de falhas no serviço e do vínculo entre essas falhas e o prejuízo. 3. Em quais situações o banco pode ser responsabilizado pelo falso boleto? A responsabilidade civil pode ser reconhecida quando as provas indicarem que a fraude foi facilitada por uma falha relacionada aos serviços bancários. Entre as circunstâncias que merecem investigação, destacam-se: 3.1. Uso indevido de informações sigilosas do consumidor Uma situação relevante ocorre quando o criminoso conhece detalhes de uma operação que, em princípio, deveriam estar restritos ao consumidor e às instituições envolvidas. Imagine que uma pessoa solicite ao banco o valor exato para quitar um financiamento. Pouco depois, recebe uma abordagem de um suposto funcionário que conhece o saldo devedor, o número do contrato e o valor atualizado para liquidação. O golpista envia um boleto com esses dados e convence a vítima a efetuar o pagamento. O conhecimento dessas informações específicas pode constituir um indício relevante de que houve acesso indevido a dados relacionados à operação bancária. É importante observar que o simples fato de o criminoso conhecer o nome e o CPF do consumidor não comprova, por si só, um vazamento de dados bancários. Essas informações podem ter sido obtidas por diferentes meios. Por outro lado, o conhecimento de informações detalhadas, especialmente quando coincide com contatos recentes mantidos com o banco, pode justificar uma investigação mais aprofundada. 3.2. Falhas na segurança e no monitoramento de operações suspeitas As instituições financeiras devem manter mecanismos de segurança compatíveis com os riscos de suas atividades. Dependendo das circunstâncias, podem ser relevantes falhas nos procedimentos de validação, no monitoramento de operações suspeitas ou na prevenção de movimentações fraudulentas. A análise deve considerar, entre outros fatores, o funcionamento dos controles de segurança e a relação entre eventual falha e o prejuízo sofrido pelo consumidor. Isso não significa que toda transferência para uma conta fraudulenta demonstre, automaticamente, defeito do banco. É necessário examinar as características da operação e os elementos específicos do caso. 3.3. Abertura ou manutenção de conta utilizada para receber o dinheiro do golpe Outro aspecto importante é a conta que recebeu o pagamento. Se houver indícios de que a conta foi aberta mediante documentação falsa, mantida com irregularidades relevantes ou utilizada em circunstâncias que revelem falhas nos procedimentos de identificação e controle, poderá ser investigada a responsabilidade da instituição que prestou esse serviço. Em determinadas situações, tanto o banco relacionado à operação da vítima quanto a instituição responsável pela conta beneficiária poderão ser incluídos na discussão judicial. A responsabilização de cada instituição, contudo, dependerá da demonstração dos respectivos pressupostos legais. A existência de uma conta utilizada por criminosos não basta, isoladamente, para estabelecer a obrigação de indenizar. 3.4. Encaminhamento da vítima ao fraudador por canal oficial A situação também merece atenção quando o consumidor é direcionado ao golpista por um funcionário, aplicativo, telefone ou canal oficial da instituição financeira. Se ficar demonstrado que o próprio serviço bancário contribuiu para colocar o consumidor em contato com o fraudador, esse fato poderá ser relevante para a caracterização do defeito na prestação do serviço. É diferente, por exemplo, de uma situação em que a vítima encontra, por iniciativa própria, um site falso na internet, sem qualquer vínculo demonstrado com o banco. 4. Decisão do STJ sobre falso boleto na quitação de financiamento Um precedente importante é o Recurso Especial nº 2.077.278/SP, julgado pela Terceira Turma do STJ em outubro de 2023. O caso envolveu uma consumidora que pretendia quitar um financiamento. Depois de solicitar informações ao banco por e-mail, foi vítima de uma fraude na qual os criminosos conheciam dados relacionados à operação. A consumidora pagou um boleto fraudulento, mas a instituição financeira não reconheceu a quitação da dívida. Ao analisar o caso, o STJ considerou relevante o uso indevido de informações relacionadas à operação bancária e reconheceu a existência de defeito na prestação do serviço, restabelecendo o entendimento favorável à consumidora. A decisão admitiu o reconhecimento da eficácia do pagamento e a devolução de parcelas cobradas indevidamente, conforme as circunstâncias daquele processo. O precedente demonstra que o conhecimento de informações específicas sobre uma operação bancária pode ser determinante na análise da responsabilidade civil. Entretanto, não se deve interpretar esse julgamento como uma garantia de vitória em todo processo envolvendo boleto falso. A conclusão depende da semelhança entre os fatos, das provas e das particularidades de cada caso. 5. Quando o banco pode não ser responsabilizado? Também existem situações em que a Justiça afasta a responsabilidade da instituição financeira. No Recurso Especial nº 2.046.026/RJ, julgado em junho de 2023, o STJ examinou uma fraude envolvendo boleto emitido por um estelionatário e enviado por endereço de e-mail que não pertencia ao banco. Naquele caso, a responsabilidade da instituição foi afastada diante da ausência de vínculo demonstrado entre a fraude e uma falha bancária. Esse entendimento reforça a importância de investigar como o golpe aconteceu. Considere, por exemplo, duas situações diferentes: Primeira situação: o consumidor solicita ao banco o boleto para quitar um financiamento e, pouco depois, recebe um documento fraudulento com informações específicas da operação, em circunstâncias que indicam possível acesso indevido a dados. Segunda situação: o consumidor encontra um site falso por meio de um buscador, acessa uma página sem vínculo demonstrado com o banco e paga um boleto cujo beneficiário é diferente do credor legítimo. Os dois casos envolvem fraude, mas as circunstâncias que podem fundamentar a responsabilidade bancária são diferentes. Por isso, a investigação da origem do boleto, do contato com o fraudador e das informações utilizadas no golpe é essencial. 6. O consumidor precisa provar o vazamento de dados? Não necessariamente precisa identificar, desde o início, o ponto exato em que teria ocorrido o vazamento. É importante distinguir a demonstração dos fatos que sustentam a pretensão de indenização da identificação técnica da falha de segurança. O consumidor pode apresentar indícios de que o fraudador conhecia informações sigilosas, demonstrar a sequência dos acontecimentos e requerer que o banco apresente documentos e registros relevantes para esclarecer a fraude. O artigo 6º, inciso VIII, do CDC prevê a possibilidade de inversão do ônus da prova em favor do consumidor, quando o juiz considerar presentes os requisitos legais, como a verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência. Essa inversão, entretanto, não é automática. Depende de decisão judicial e não dispensa o consumidor de apresentar os elementos que estiverem ao seu alcance. Podem ser relevantes, por exemplo, os registros de atendimento, as comunicações com o banco, o histórico da solicitação de quitação, as informações conhecidas pelos criminosos e os dados identificadores da conta beneficiária. A instituição financeira poderá ser chamada a esclarecer aspectos técnicos que estejam sob seu controle, observadas as regras processuais aplicáveis. 7. Quais indenizações a vítima do falso boleto pode pedir? Quando estiverem demonstrados os pressupostos da responsabilidade civil, o consumidor poderá formular pedidos destinados a reparar os prejuízos sofridos. 7.1. Reconhecimento da quitação da dívida Quando o golpe estiver relacionado a uma operação destinada ao pagamento de uma dívida e houver fundamento jurídico para atribuir eficácia ao pagamento, poderá ser solicitado o reconhecimento da quitação em relação ao credor. Esse pedido é especialmente relevante nos casos em que o consumidor já perdeu o dinheiro e continua sendo cobrado pelo valor que acreditava ter pago. A possibilidade de obter esse reconhecimento depende das circunstâncias do caso e da responsabilidade atribuível ao credor ou às instituições envolvidas. 7.2. Restituição dos valores pagos indevidamente O consumidor poderá pedir a devolução dos valores que tiver direito a recuperar. A definição de quem deverá restituir o dinheiro dependerá da participação de cada instituição na fraude e dos fundamentos jurídicos aplicáveis. Também é necessário evitar a duplicidade de reparação: o objetivo é recompor o prejuízo efetivamente sofrido, sem permitir enriquecimento sem causa. 7.3. Indenização por danos materiais Os danos materiais correspondem aos prejuízos econômicos comprovados e juridicamente atribuíveis à conduta ou à falha do responsável. Podem incluir o valor desviado pelo golpe e outras despesas diretamente relacionadas ao evento, desde que demonstradas e reconhecidas como indenizáveis. A documentação dos pagamentos, cobranças e despesas é fundamental para estabelecer a extensão do dano. 7.4. Indenização por danos morais A indenização por danos morais pode ser cabível quando os fatos ultrapassarem o mero aborrecimento e atingirem direitos da personalidade ou causarem consequências juridicamente relevantes. A análise poderá considerar, por exemplo, a gravidade da fraude, as circunstâncias da cobrança, a eventual inscrição indevida do nome do consumidor em cadastros de inadimplentes e as consequências concretas do episódio. O dano moral não deve ser considerado automático em toda fraude com boleto falso. Seu reconhecimento depende da situação examinada e dos critérios aplicáveis. 7.5. Devolução em dobro O artigo 42, parágrafo único, do CDC prevê, em determinadas condições, a repetição em dobro do valor cobrado indevidamente e pago em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, ressalvada a hipótese de engano justificável. A aplicação dessa regra exige a análise da cobrança, do pagamento e das circunstâncias pertinentes. Não basta afirmar que houve fraude para concluir que todos os valores deverão ser devolvidos em dobro. 8. E se o banco continuar cobrando a dívida ou negativar o consumidor? A situação pode se tornar ainda mais grave quando, mesmo depois de comunicado sobre a fraude, o credor mantém cobranças que deveriam ser suspensas ou inscreve indevidamente o nome do consumidor nos cadastros de inadimplentes. Nessas circunstâncias, conforme o conjunto de fatos e os requisitos legais, poderão ser avaliados pedidos de: suspensão das cobranças relacionadas à dívida controvertida; reconhecimento da inexigibilidade do débito ou da quitação, conforme o caso; exclusão de inscrição indevida nos cadastros de inadimplentes; restituição de valores pagos indevidamente; indenização por danos materiais e morais, quando cabível. Quando houver risco de dano e estiverem presentes os requisitos do artigo 300 do Código de Processo Civil, o consumidor poderá requerer tutela de urgência para tentar suspender as cobranças ou impedir a manutenção de uma restrição indevida. A concessão da medida dependerá da análise judicial dos elementos apresentados. 9. O que fazer depois de pagar um boleto falso? A rapidez na adoção das providências pode ajudar a preservar provas e, em algumas situações, aumentar as possibilidades de bloqueio ou recuperação dos valores. Passo 1 — Entre em contato imediatamente com o banco Utilize os canais oficiais da instituição pela qual o pagamento foi realizado. Informe a suspeita de fraude, solicite o registro formal da ocorrência e pergunte quais medidas podem ser adotadas para tentar bloquear ou recuperar os valores. Se o pagamento tiver sido feito por meio de um arranjo de pagamento sujeito a procedimento específico de contestação, solicite informações sobre a medida cabível. Guarde o protocolo e a resposta recebida. Passo 2 — Preserve o boleto e o comprovante Não descarte o arquivo original do boleto nem o comprovante de pagamento. Esses documentos podem identificar o beneficiário efetivo, a instituição destinatária, o valor e os dados da transação. Essas informações ajudam a reconstruir o caminho do dinheiro. Passo 3 — Guarde as mensagens e identifique a origem do golpe Preserve e-mails, conversas por aplicativos, mensagens de texto, números telefônicos, links e endereços de sites utilizados. Se o criminoso conhecia detalhes de um financiamento, contrato ou solicitação de quitação, guarde as provas que permitam demonstrar esse conhecimento. Evite editar ou apagar as conversas originais. Passo 4 — Reúna os documentos do contrato Se a fraude estiver relacionada a financiamento, empréstimo ou outra dívida, reúna: contrato original; demonstrativos do saldo devedor; boletos anteriores; comprovantes de pagamentos; e-mails ou protocolos de solicitação de quitação; notificações de cobrança recebidas após a fraude. Esses documentos podem ajudar a demonstrar a relação entre a operação legítima e as informações utilizadas pelo fraudador. Passo 5 — Registre um boletim de ocorrência O boletim de ocorrência permite formalizar a notícia do crime e documentar as circunstâncias relatadas. Ele não garante, por si só, a recuperação do dinheiro nem comprova automaticamente a responsabilidade do banco, mas pode integrar o conjunto de provas. Passo 6 — Procure os canais de reclamação Se a instituição não solucionar o problema, o consumidor poderá recorrer à ouvidoria do banco e avaliar reclamações perante o Banco Central e os órgãos de defesa do consumidor, conforme a natureza da questão. Essas providências podem ajudar a documentar a tentativa de solução administrativa, embora não substituam a análise judicial quando ela for necessária. Passo 7 — Avalie a possibilidade de ingressar na Justiça Se houver elementos que indiquem falha na prestação do serviço e o prejuízo não for reparado, poderá ser avaliada uma ação judicial. A estratégia dependerá da natureza da dívida, do valor envolvido, das instituições participantes e das provas disponíveis. 10. Como o consumidor pode fortalecer sua ação judicial? Uma ação bem fundamentada deve reconstruir os acontecimentos de forma cronológica e demonstrar, com documentos, os elementos que relacionam o golpe ao serviço bancário. Não basta afirmar que o consumidor foi vítima de estelionato. É importante esclarecer: Qual era a relação contratual com o banco ou credor? Como o boleto foi obtido? Quem enviou o documento e por qual canal? Quais informações o fraudador conhecia? Para qual beneficiário o dinheiro foi destinado? Qual instituição recebeu ou processou o pagamento? Que providências foram tomadas depois da descoberta? Quais prejuízos persistem? A partir dessas informações, será possível avaliar a pertinência de pedidos de exibição de documentos, inversão do ônus da prova, restituição de valores, reconhecimento de quitação e indenização. Também é importante identificar corretamente os possíveis responsáveis. Dependendo do caso, a discussão poderá envolver o banco credor, a instituição responsável pela conta beneficiária ou outros participantes da operação. A inclusão de cada réu deverá ser justificada pelos fatos e fundamentos jurídicos, e não apenas pela existência de uma fraude. Conclusão: a responsabilidade bancária depende das provas O golpe do falso boleto pode causar prejuízos significativos e deixar o consumidor diante de uma situação especialmente injusta: perder o dinheiro e continuar devendo. A legislação brasileira oferece instrumentos para a proteção da vítima, especialmente o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor e a Súmula 479 do STJ, que reconhece a responsabilidade objetiva das instituições financeiras pelos danos decorrentes de fortuito interno relacionado à atividade bancária. Entretanto, a responsabilização não é automática. É necessário examinar as circunstâncias do golpe, a existência de eventual defeito na prestação do serviço e o vínculo entre a falha e o prejuízo. O uso indevido de informações específicas de uma operação, as falhas de segurança e as irregularidades relacionadas à conta beneficiária podem ser elementos importantes para a análise. Por isso, quem pagou um boleto falso deve agir rapidamente, preservar os documentos, comunicar a fraude às instituições envolvidas e buscar orientação jurídica quando necessário. Conhecer seus direitos e reunir as provas adequadas são passos fundamentais para avaliar a possibilidade de recuperar o dinheiro, discutir a quitação da dívida e buscar a reparação dos prejuízos. Victor Manoel Romero da Silva – Advogado – OAB/RJ 249.067 Conteúdo elaborado com finalidade exclusivamente informativa. Cada situação deve ser analisada individualmente à luz dos documentos e circunstâncias do caso. Contato profissional: WhatsApp: 21-997826929

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Como dar entrada em um processo contra o INSS?

Para dar entrada em um processo judicial contra o INSS, você pode seguir dois caminhos principais, dependendo do valor total que você tem para receber (a soma das parcelas que o INSS te deve desde quando você fez o pedido original). O primeiro passo fundamental e obrigatório em ambos os casos é ter a carta de indeferimento (a negativa) do INSS, pois a Justiça só aceita o processo se ficar provado que o órgão negou o seu direito na via administrativa. Abaixo estão as duas formas de iniciar a ação judicial: 1. Juizado Especial Federal (Sem Advogado) Você pode entrar com a ação por conta própria se o valor dos atrasados for de até 60 salários mínimos (o limite da Requisição de Pequeno Valor - RPV). • Onde ir: Procure o setor de "Atermação" do Juizado Especial Federal (JEF) da sua região. Muitas subseções judiciárias permitem fazer esse pedido de forma online pelo site do Tribunal Regional Federal (TRF) do seu estado. • Como funciona: Você apresenta os documentos, e os próprios servidores do tribunal vão transformar a sua reclamação em um processo judicial. • Custo: É gratuito (não há cobrança de custas processuais na primeira instância). 2. Justiça Federal Comum ou Juizado (Com Advogado) Se o valor dos atrasados for maior que 60 salários mínimos ou se o seu caso for complexo (como aposentadoria especial ou cálculo detalhado de tempo de contribuição), o ideal é buscar representação jurídica. • Advogado Especialista: Um advogado previdenciarista cuidará de toda a burocracia, elaborará a petição inicial e acompanhará as perícias. • Defensoria Pública da União (DPU): Se você não tiver condições financeiras de pagar um advogado, pode buscar atendimento na DPU da sua cidade para que um defensor público assuma o caso gratuitamente. 📑 Documentos Necessários Para qualquer uma das opções, você precisará reunir e apresentar a seguinte documentação: • Documentos pessoais: RG, CPF e comprovante de residência recente. • Negativa do INSS: Cópia do processo administrativo (pode ser baixado pelo aplicativo ou site Meu INSS) e a carta de indeferimento. • Histórico de trabalho: Carteira de Trabalho (CTPS) e o extrato do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). • Para benefícios por incapacidade ou BPC: Laudos médicos atualizados, exames, receitas, relatórios e o parecer da perícia médica que o INSS recusou. Victor Manoel Romero da Silva – Advogado – OAB/RJ 249.067 Conteúdo elaborado com finalidade exclusivamente informativa. Cada situação deve ser analisada individualmente à luz dos documentos e circunstâncias do caso. Contato profissional: WhatsApp: 21-997826929