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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Golpe do Pix supera fraudes em ações judiciais
Os golpes do Pix viraram as fraudes digitais que mais resultam ações na Justiça, mostra levantamento inédito ao qual a coluna
teve acesso exclusivo.
Apesar da aparente popularidade dessa modalidade de estelionato digital, foi só em 2025 que o chamado "golpe do Pix"
ultrapassou os golpes do boleto e do falso motoboy, dois líderes históricos.
Realizado pelo Jusbrasil em bases de tribunais brasileiros, o estudo analisou 129 mil decisões judiciais entre 2010 e agosto de
2025.
O quadro pode mudar, mas até aquele momento do ano passado, ranking de golpes que figuravam em casos judiciais ficou
assim:
1. Golpe do Pix: 4.564
2. Golpe da falsa central de atendimento: 4.355
3. Golpe do WhatsApp: 3.538
4. Golpe do boleto: 3.712
5. Golpe do falso motoboy: 2.869
Se o golpe do falso motoboy (criminoso se passar por funcionário de uma empresa conhecida para roubar de cartões a
documentos) e o golpe do boleto (emissão de títulos de pagamento fraudulentos em nome de instituições legítimas) são fraudes
analógicas modernizadas com a internet, as fraudes da falsa central de atendimento e do WhatsApp são espécies típicas da era
digital.
No primeiro caso, um bandido entra em contato com a vítima dando a entender que fala em nome de alguma empresa,
geralmente um banco. O pretexto é uma compra com valor suspeito, um bloqueio de conta. O objetivo é roubar credenciais de
acesso ou promover a instalação de aplicativo fraudulento. Em posse dos dados da vítima, fazem transações financeiras, com
contratação de empréstimos e envios de Pix.][
Já no segundo caso o campo de atuação é o WhatsApp, usado pelos bandidos para se passar por um conhecido da vítima para
pedir dinheiro. Pode haver algum nível de roubo de identidade digital —alguns casos envolvem migrações inadvertidas das
linhas de celulares das vítimas de uma operadora móvel para outra.
Apesar do nome, "golpe do Pix" não quer dizer que o sistema de pagamento gerenciado pelo Banco Central e lançado em 2020
foi alvo de ataques cibernéticos. O apelido reúne diversos golpes ocorridos no ambiente digital que levam a vítima a fazer um
Pix para os criminosos.
Tanto o golpe do Pix quanto o do WhatApp contam com forte uso de engenharia social, técnicas para enganar a vítima e levá-la
a voluntariamente transferir dinheiro ou ceder dados pessoais.
O estudo do Jusbrasil não avaliou o desfecho das ações, isto é, se as vítimas foram ressarcidos ou não. Apenas levantou o
volume de ações em decorrência de golpes. Desde 2010, o resultado é o seguinte:
1. golpe do falso motoboy: 26.908
2. golpe do boleto: 24.930
3. golpe do WhatsApp: 16.640
4. golpe do Pix: 13.979
5. golpe da falsa central de atendimento: 10.608 decisões
Como o estudo considera apenas decisões públicas e casos que mencionassem o termo "golpe", é possível que o número total
de ações judiciais seja maior. Outro detalhe importante é que o volume de golpes no Brasil é bem maior, já que a pesquisa leva
em conta somente as situações que chegaram à Justiça.
São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul são os estados dos tribunais com mais ações do tipo.
Para o Jusbrasil, o aumento desses casos indica a crescente judicialização em decorrência de crimes digitais e invariavelmente
põe em discussão a responsabilidade civil de instituições financeiras.
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