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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
Vítimas de silicone francês podem receber até R$ 212 mil
Doze anos após vir à tona a adulteração das próteses de silicone da marca francesa PIP
(Poly Implant Prothèse), uma associação internacional de vítimas do produto que teve
ganho de causa na Justiça francesa busca brasileiras afetadas pelo problema para incluí-las
na ação que pede indenização pelos danos causados por essas próteses.
Criada em 2019, a Associação de Vítimas de Implantes Mamários (ASBVI) representa 6 mil
mulheres de 40 países. No início deste ano, a Justiça francesa condenou a empresa alemã
TÜV Rheinland a pagar indenização que pode variar de 9 mil a 40 mil euros (R$ 47,7 mil a
R$ 212 mil) por paciente prejudicada. A empresa era responsável por auditar o sistema de
qualidade desses implantes e certificá-los. A fabricante francesa PIP fechou pouco tempo
após o início do escândalo. Seu presidente foi preso.
A ASBVI, representada pela advogada colombiana Nathalie Lozano Blanco, também sócia
do escritório Lozano Blanco & Asociados, estima que 30 mil brasileiras tenham recebido
próteses de silicone da PIP e, portanto, teriam direito à indenização. “As primeiras ações
foram movidas na Justiça francesa em 2013. Nos anos seguintes, houve uma guerra de
recursos. Agora, temos uma decisão definitiva que dá ganho de causa a essas mulheres”,
diz Nathalie. Seu escritório se juntou ao Merci, escritório internacional especializado em
litígios coletivos que representa 13 mil vítimas da PIP.
A adulteração nas próteses foi descoberta após inspeção feita em 2010 pelas autoridades
francesas nas instalações da fabricante PIP. Foi constatado que a prótese era preenchida
por um gel impróprio para uso no corpo humano e muito mais barato do que a substância
que deve ser usada. Além disso, causava maior risco de ruptura. Após o alerta das autoridades francesas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da distribuição do produto no Brasil. O Ministério da Saúde chegou a informar que toda
vítima do problema poderia fazer cirurgia de retirada e troca de prótese gratuitamente,
mas, segundo a associação, muitas ficaram sem uma resolução ou passaram por alguma
intervenção tardiamente.
Foi o caso da funcionária pública Maria Cristina Geremias Martins, de 42
anos. Ela colocou a prótese da PIP em 2008 e, em 2012, ao ver notícias sobre a adulteração,
procurou seu cirurgião plástico para saber se corria risco. “Ele disse que era tudo sensacionalismo.” Confiando nesse médico, Maria seguiu com o implante. Em 2015, passou a ter
fortes dores de cabeça. Também sentia dor nas axilas.
Maria processou a clínica e o cirurgião, e ganhou uma indenização em 2021, mas diz que
não há valor capaz de reparar os danos e sequelas.
“Fiz exames que mostram que ainda há resquícios de silicone nos meus braços, em outras
partes do corpo, continuo com enxaqueca forte, tenho cicatrizes que vão até as costas. Fora
a angústia de saber que continuo com isso dentro de mim sem saber o que pode causar no
futuro”, diz.
Segundo a representante da ASBVI, as vítimas que ingressarem na ação contra a TÜVRheinland só terão que pagar os honorários advocatícios após receberam as primeiras parcelas de indenização, o que costuma demorar 15 meses a partir da decisão. Para vítimas de outros
países que já tiveram ganho judicial, os tribunais franceses têm garantido um pagamento
mínimo de 9 mil euros, que pode chegar aos 40 mil euros dependendo do dano causado à
saúde da mulher.
“Mesmo que a mulher não tenha tido nenhum problema de saúde decorrente da prótese, a
Justiça tem entendido que ela tem direito à indenização. O valor muda de acordo com os
danos”, explica a advogada.
A mulher que tiver interesse em pleitear indenização por meio da ação judicial coletiva
deverá preencher um formulário no site https://vitimaspip.com/pt-br/ e enviar documentação comprovando ter uma prótese da marca PIP. Todos os implantes de silicone têm um
número de série registrado nos órgãos reguladores e, por ele, é possível confirmar se a
paciente recebeu um produto de determinada marca. •
‘Fiz exames que mostram que ainda há resquícios de silicone nos meus braços, em outras
partes do corpo, continuo com enxaqueca forte’
Prótese era preenchida por gel impróprio para uso no corpo humano e tinha maior risco de
rompiment
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