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terça-feira, 22 de setembro de 2026
TJ condena Hopi Hari em pagar R$ 60 mil a jovem que perdeu rim em atração
Uma jovem de 15 anos perdeu o rim direito após cair ao fugir de um personagem
em uma atração do Hopi Hari, e o TJ-SP manteve a condenação do parque ao
pagamento de R$ 60 mil de indenização.
A adolescente entrou na "Casa dos Monstros" durante uma excursão escolar
ao Hopi Hari. O passeio ocorreu em 16 de novembro de 2023, durante o evento
"Hora do Horror".
A adolescente foi surpreendida e perseguida por um funcionário caracterizado
como personagem da atração. Segundo o advogado da jovem, George Souza, o
ambiente tinha baixa luminosidade e a situação provocou pânico e correria.
Ao tentar se afastar, ela caiu e bateu o lado direito do corpo contra uma
estrutura rígida. O objeto foi descrito nos autos como uma espécie de quina, pedra
ou degrau. O Hopi Hari contesta a existência de um degrau no local.
A perícia reconheceu que o trauma sofrido na queda provocou a lesão que
resultou na perda do rim direito. A jovem sentiu fortes dores e foi levada por uma
monitora da escola ao ambulatório do parque.
A adolescente foi depois removida em uma ambulância UTI para o Hospital
Santa Helena, em Santo André e uma tomografia apontou ruptura
A adolescente precisou retirar totalmente o rim direito em uma cirurgia de
emergência. Houve hemorragia e choque hipovolêmico, o que
tornou inviável preservar o órgão. O advogado afirmou que a cirurgia foi necessária
para preservar a vida da jovem.
Ela continua em acompanhamento médico e precisa adotar cuidados para
preservar o rim remanescente. Segundo Souza, há atenção com alimentação,
hábitos de vida, atividades físicas e medicamentos que possam representar risco ao
órgão. Atualmente, ela vem se recuperando bem.
A cirurgia deixou uma cicatriz de aproximadamente 17 centímetros no
abdômen. O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) considerou que a marca é
permanente e pode afetar a aparência e a autoimagem da jovem. A decisão registra
que ela relatou constrangimento para frequentar praias e piscinas.
Souza afirma que a perda do rim deixou consequências permanentes para a
jovem. "Uma adolescente entrou em um parque de diversões para participar de
uma excursão escolar e saiu daquela experiência tendo perdido definitivamente um
órgão", disse ao UOL.
O Hopi Hari foi condenado em primeira instância a pagar R$ 50 mil por danos
morais e R$ 10 mil por danos estéticos. A Justiça rejeitou um pedido de R$ 150
mil por danos materiais.
A 31ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP manteve a condenação por
unanimidade. O julgamento ocorreu em agosto e rejeitou o recurso apresentado
pelo parque.
Para o tribunal, correr ou tentar fugir após um susto era uma reação previsível
dentro da atração. O acórdão afirmou que a atividade foi criada para provocar
medo e reações instintivas e que a conduta da adolescente não afastava a
responsabilidade do parque.
A perícia confirmou a relação entre o trauma sofrido na queda e a grave lesão
renal. A perita, porém, concluiu que não havia relação entre os danos e a atuação
do Hopi Hari. O TJ-SP afirmou que definir a responsabilidade pelo acidente era uma
questão jurídica e que não estava vinculado à conclusão da perita nesse ponto.
O tribunal também destacou que o parque não apresentou imagens do
sistema de monitoramento do momento do acidente. Segundo o acórdão, a
gravação poderia ajudar a esclarecer como ocorreu a queda.
O Hopi Hari apresentou embargos de declaração, mas o recurso foi rejeitado
por unanimidade. O tribunal afirmou que não havia omissão ou
contradição na decisão anterior e advertiu que novos embargos para rediscutir
questões já analisadas poderão resultar em multa.
O parque ainda pode tentar levar o caso aos tribunais superiores. Segundo
Souza, se não houver novo recurso, ou depois de encerradas as possibilidades de
recurso, o processo poderá seguir para o pagamento da indenização.
O Hopi Hari afirmou que irá recorrer da decisão. O parque disse que o
laudo da perita nomeada pelo juízo concluiu que a empresa não concorreu para o
resultado.
A empresa sustentou que a adolescente não seguiu as regras da atração
temporária, correu e sofreu a queda. Segundo o Hopi Hari, a condenação ocorreu
apesar de a perita indicada pelo próprio juízo ter concluído que o parque não teve
responsabilidade pelo resultado.
O parque afirmou que o juiz decidiu pela condenação apenas pelo fato de o
incidente ter ocorrido dentro de suas dependências.
A Hora do Horror é um evento anual do Hopi Hari realizado desde 2002. A
temporada temática reúne personagens caracterizados, cenários e atrações
voltadas a provocar sustos nos visitantes. O evento costuma ocorrer entre agosto e
novembro e adota um tema diferente a cada edição.
Victor Manoel Romero da Silva – Advogado – OAB/RJ 249.067
Conteúdo elaborado com finalidade exclusivamente informativa.
Cada situação deve ser analisada individualmente à luz dos
documentos e circunstâncias do caso.
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